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Todo dia é dia de luta

Atualizado: 19 de mai. de 2024

Nesse dia, 8 de março, dia de luta para as mulheres, Zélia Mendonça lembra que exigir justiça e igualdade para as mulheres é exercício diário.


Uma foto com obras da artista plástica em seu ateliê em Tiradentes.
Arte na luta pelos direitos da mulher - Ateliê Zélia Mendonça

Nas obras de Zélia Mendonça estão sempre presentes elementos narrativos de vidas de mulheres e dela própria. E nestas peças há, em sua maioria, reflexos de indagações sobre a condição da mulher na sociedade. A artista gosta de tratar de temas caros às mudanças sociais e também é movida por suas inquietações pessoais.


Hoje, ela destacou dois quadros e um torso para convidar as pessoas à reflexão.


Meu Corpo Suas Regras


“Sou uma mulher apaixonada. Acredito sempre nas pessoas. Isso acho que lhes causa confusão, só pode, porque não somos uma sociedade que lida bem com a mulher que sonha, que deseja.


Fui mãe solteira e o tempo todo quiseram que a minha maternidade fosse uma penitência. Não foi. Ao contrário a maternidade é o meu rito de formação.

Depois também achei muito difícil lidar assim com o amor... O amor de uma mulher da minha geração é sempre um ato de rebeldia. É a bússola das nossas escolhas. E a gente enfrenta, a gente vai carregando as cicatrizes e protegendo nossa ternura.


Claro que “Meu Corpo Suas Regras” é uma ironia. Dei esse nome porque fiquei muito perturbada em descobrir na minha idade que sempre existirá um homem querendo te dizer por onde passa seu prazer, como você deve pensar e trabalhar. Foi nauseante, pois achei que tinha conquistado uma paz nesse sentido. Mulheres não tem paz, nunca, nem na minha idade, foi o que eu descobri. Mas isso também me dá muita vontade de lutar. De colocar minha arte como um instrumento de luta”.


Assédio


“É um absurdo que homens normalizem o assédio. Penso sempre isso, na motivação deles. Um corpo feminino para o assediador é o que? Nada. De onde eles tiram essa ideia de que um ser humano existe para servi-lo, para viver conforme seus imperativos?


Não gosto nem de me referir a essa pulsão assediadora como desejo sexual. Não é. O desejo sexual para mim é algo mútuo, não exclui o amor tampouco o respeito. Não é unilateral nem material. O assédio é uma pulsão destruidora. Se não destrói a vida por completo, remove parte dela. Nos custa muito trabalho se recompor. E sempre quando atinge uma, acaba legitimando a dor para muitas.


Como esse caso do deputado paulista na Ucrânia... “Elas são fáceis porque são pobres”. Se não teve empatia com mulheres refugiadas terá com as mulheres pobres desse Brasil? Mulheres a quem ele deveria servir propondo leis para ajuda-las? O assédio diz muito de como a nossa sociedade objetifica as mulheres. É uma força destruidora, repito”.


Eva


“Eu fiquei transtornada com o feminicídio que ocorreu aqui em Tiradentes com a jovem Iara. Somos uma cidade tão pacífica... Foi brutal. Eu não quero voltar a falar dos detalhes que me chegaram dessa barbárie. As imagens ficaram presas na minha mente. Então eu comecei a pintar, a liberar aquele sentimento visual. A questão estrutural está muito presente neste quadro. Por isso dei o nome de “Eva”. É como ao escolher o feminino como culpado por tirar o paraíso dos homens, como acusa a mitologia bíblica, estes fizessem da vida das mulheres constantes construções infernais. Até quando vamos assistir parados estas barbaridades? Pergunto isso para os homens também. Eles não podem ficar omissos.”


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